As novas bonecas Barbie

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Inspirada na modelo pin-up Betty Grable, a Barbie é atualmente um dos brinquedos mais populares entre as crianças e, predominantemente, entre as meninas. Contudo, já não é de hoje que a boneca mais famosa do mundo tem sido alvo de controvérsias devido às suas proporções irreais.

Um estudo criado pelo site Rehabs.com mostra que, de fato, medidas corporais como as da Barbie são humanamente impossíveis. Sua cintura é tão fina que só poderia acomodar metade de um rim e alguns centímetros de intestino; e seu pescoço, 15cm mais fino do que o de uma mulher normal e duas vezes mais longo, jamais conseguiria sustentar sua cabeça.

A circunferência minúscula de seus pulsos tornaria a Barbie incapaz de sustentar qualquer peso, e o tamanho absurdamente pequeno de seus pés a obrigaria a andar sempre em quatro apoios.

Ainda assim, até o ano de 2014 a Mattel não declarava intenção alguma de mudar o formato da boneca. Segundo a vice-presidente de design da marca, Kimberly Culmone, “o corpo da Barbie nunca foi desenhado para ser realista. Ele foi pensado para as garotas vestirem e despirem com mais facilidade. (…) Basicamente o importante é a função para a garotinha, para que tecidos possam ser transformados e costurados e que a roupinha tenha um caimento perfeito no corpo.”

A influencia do padrão de beleza da Barbie

Essa ideia até poderia funcionar na teoria, mas na prática sabemos que as crianças projetam muito de sua personalidade e expectativas em suas brincadeiras, e com a Barbie não é diferente.

O padrão irracional de beleza que a Barbie inconscientemente ajuda a perpetuar é passado para nossas meninas desde cedo. Desde muito pequenas, elas aprendem que o próprio corpo é feio, inaceitável perante os padrões, e criam o objetivo do “corpo perfeito” em uma idade na qual não é apropriado e nem saudável que elas se preocupem com isso.

Nos últimos anos, as crianças e, o mais importante, os pais delas começaram a perceber quão nociva essa ideia é, e pararam de comprar as bonecas. Em 2014, a boneca da Elsa, do filme Frozen, se tornou o brinquedo mais popular entre meninas, desbancando a Barbie que, por muitos anos, ocupou esse posto.

A Lego, recentemente, também percebeu que podia alcançar o público feminino e, com a ideia de seus brinquedos direcionados a elas, ultrapassou a Mattel e, em 2014, tornou-se a maior empresa de brinquedos do mundo. A falta de representatividade da Barbie começou, enfim, a se fazer sentir no bolso da empresa.

Os novos modelos da Barbie e porque eles são importantes para a autoestima da criança

Comparação entre o modelo original e o “curvy”. Fonte: wp-content.bluebus.com

Diante desse cenário, a Mattel se viu obrigada a redefinir o conceito da Barbie e, neste ano, lançou sua nova linha de bonecas, que agora ganhou três novos tipos de corpo: Curvy, uma boneca com mais curvas do que a original, Petite, mais baixa do que a Barbie comum, e Tall, mais alta.

A nova coleção também conta com sete tons diferentes de pele, 24 estilos de cabelo e 22 cores de olhos. Apesar da mudança ter sido motivada por razões puramente capitalistas, a Mattel voltou atrás em sua decisão de manter inalterado o corpo da Barbie e aceitou o fato de que, para a criança, uma boneca não é só um manequim de roupinhas, e sim uma projeção do que ela pode ser.

Em um mundo com um padrão de beleza massacrante, no qual mulheres magras são vendidas como modelos plus size, é importantíssimo que “a boneca mais linda do mundo” represente diversos tipos de beleza e ajude a desconstruir a ideia de que só existe uma maneira de ser bonita.

Empoderar nossas meninas desde cedo é importantíssimo para que, no futuro, elas se transformem em mulheres confiantes, donas de si e cientes de que, independentemente da cor de pele, da textura do cabelo ou da quantidade de curvas no corpo, todas são lindas e devem ser celebradas.

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