Vida ou Morte

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A realidade dos agrotóxicos

Uma vida sadia é uma vida equilibrada, ou seja, mente, corpo e alma em sintonia. Claro que cada um desses elementos, precisas ser trabalhado e cuidado, mas e quando acreditamos estar cuidando bem de um deles e estamos no entanto prejudicando a todos? É o que acontece hoje, ao cuidarmos da saúde do corpo, com uma alimentação “saudável” e bem nutrida com produtos “naturais” quando na verdade, estamos ingerindo altas doses de veneno e doenças, que claro desequilibram todo a harmonia do ser. O que fazer?

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Bem estar e informação

Equilíbrio é estar em harmonia, uma pessoa pode se considerar equilibrada quando se sente completamente bem, geralmente procura ter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas regulares, fazer boas ações, entre outras atividades prazerosas do seu dia a dia. Isso nos trás satisfação e paz interior, pois estamos acostumados a condicionar nossas atitudes a coisas positivas.

Nos faz bem cuidar do corpo, da mente e dos outros, é como responder ao universo que estamos cumprindo bem o nosso papel e que fazemos o nosso melhor diante de uma sociedade tão consumista.

Mas será que estamos fazendo mesmo o melhor? Para responder a essa e tantas outras perguntas, precisamos buscar informações e entender o mundo que compramos e principalmente o mundo que comemos. E com as respostas poderemos agir em prol de nós mesmos e dos outros, então, de fato equilibrarmos as coisas.

Com tanta informação não é difícil saber que uma alimentação saudável é essencial para a saúde, é quase uma unanimidade entre os médicos que os vegetais são as melhores opções para qualquer rotina e dieta. Mas ao se deparar com algumas estatísticas, é quase inacreditável: o que nos deveria fazer bem, está nos matando!

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), ingerimos em média 5 litros de veneno por ano no Brasil. Dos alimentos “in natura” brasileiros, 70% estão contaminados com agrotóxicos, desses, 28% estão contaminados com substancias não autorizadas ou com quantidades acima do permitido.

E outras que são liberadas, como é o caso do 24D, o chamado agente laranja, que foi pulverizado pelos EUA no Vietnã durante a guerra, que até hoje deixa sequelas nas crianças que nascem com má formação, muitas vezes sem braços e pernas. Desde de 2006 a Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), ainda avalia a permissão e o uso desse agente químico.

Análises feitas pela própria Anvisa, mostram que o pimentão é o campeão de contaminação por agrotóxicos chegando a 90%, morango 70% e alface 60%. São números alarmantes, sem contar que existem falhas no controle da qualidade de todos os produtos hortifrutigranjeiros e na maioria dos casos, mesmo com a constatação de irregularidades a aplicação de multas e o exercício da lei não ocorrem.

No Brasil, existem incentivos fiscais, como redução significativa de impostos e em alguns estados a isenção deles para as indústrias químicas do setor. O que trás prejuízos não só à saúde dos trabalhadores dessas grandes empresas, mas a toda a população.

Transgênicos

Os alimentos transgênicos, que para a maioria das pessoas, significa apenas que são geneticamente modificados, parecem inofensivos. Porém, existe um grande interesse comercial nisso, com uma desculpa bem sem graça para justificar essa prática.

Entenda: a semente modificada, realmente produz mais do que a chamada semente “crioula”, porém para se produzir as grandes quantidades garantidas pelo fabricante, o produtor precisa comprar junto um pacote de insumos, o que inclui os agrotóxicos e fertilizantes para a produção, sem isso as sementes transgênicas não produzem e o agricultor não consegue o financiamento rural, que é o que viabiliza a compra das próprias sementes.

Ou seja, é uma forma de obrigar a maioria dos produtores a praticarem a chamada agricultura convencional. Outro detalhe é que todo esse processo extrai e degenera o solo, são grandes colheitas em pouco tempo, sem deixar o solo se recuperar, assim aumenta a dependência dos fertilizantes para a produção.

E a desculpa que justifica todo esse mercado são os baixos preços. Os governantes e as grandes transnacionais envolvidas, alegam que o baixo poder aquisitivo da maioria da população só pode consumir esses produtos se eles forem produzidos dessa maneira, e que se fossem produzidos de maneira a zelar pela saúde da população, o país não teria capacidade de suprir a demanda.

O que, estudos comprovam ser uma falsa alegação, é possível sim, produzir alimentos orgânicos de boa qualidade, melhorando a saúde de todos, com preços conforme o atual mercado, desde que a política na agricultura vise incentivar a produção orgânica.

Os males causados pela contaminação por agrotóxicos e outros agentes químicos encontrados na nossa mesa todos os dias, são responsáveis por inúmeras doenças, que vão desde irritação na pele e nos olhos, a problemas hormonais, abortos, má formação fetal e câncer.

Isso pode se estender por gerações, pois alguns desses compostos são absorvidos pelo nosso organismo, mas não são eliminados e ainda podem contaminar bebês através do leite materno ou durante a gestação.

Dicas Práticas

A maioria dos médicos afirmam que mesmo com todo o “veneno” presentes nos alimentos naturais, ainda são melhores do que os industrializados e processados, que causam danos ainda maiores á saúde.

Os agentes químicos são invisíveis ao consumidor, ou seja, só serão sentidos os seus efeitos ao longo do tempo. Na hora da compra no supermercado não conseguimos distingui-los. Sabemos que ficam concentrados principalmente nas cascas das frutas e legumes e nas folhas das verduras. Diante disso o melhor a se fazer é:

  • Consumir preferencialmente alimentos orgânicos (que são alimentos produzidos sem o uso de agentes químicos, de forma realmente natural);
  • Cerificar-se da procedência dos alimentos que consumimos;
  • Existem maneiras de minimizar os excessos de agrotóxicos nos alimentos antes de comê-los. São eles:
    Tintura de iodo – a cada 1 litro de água 5ml da solução, que é encontrada em farmácias, deixar os alimentos de molho por 1h antes de utilizá-los.

Outra receita natural é: 900ml de água, 100ml de vinagre de maçã ou branco e 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio, basta 15min de molho antes do consumo.

Lavar bem os alimentos com uma esponja vegetal e água corrente, não é tão eficiente, mas ajuda bastante;

  • Descasque as frutas e legumes e descarte as cascas evitando a contaminação através dos recipientes utilizados.

É uma realidade cruel da qual fazemos parte, precisamos nos atentar para os detalhes se quisermos ter qualidade de vida e viver mais. Muitos produtores, em sua maioria pequenos, estão buscando sair da agricultura convencional, sozinhos ou com a ajuda de algumas cooperativas, porque estão se preocupando com a qualidade e não com a quantidade.

São iniciativas que vem mostrando serem muito mais produtivas e melhores em muitos aspectos que afetam diretamente seus produtos, sua própria saúde e a saúde dos consumidores. Sim, é possível mudar, nem que seja em parte, a realidade sociocultural do lugar em que vivemos. Para mais informações assista o documentário “O veneno está na mesa I” (2011) e “O veneno está na mesa II” (2014) de Silvio Tendler.

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